22 de dez. de 2025

Viajar é Trocar a Roupa da Alma

Viajar é um exercício silencioso de desapego.
Ao sair, deixamos para trás a ilusão de controle,
as certezas arrumadas em prateleiras conhecida,
Logo ali, na próxima curva....o desconhecido nos espera


Expedição Estrada Real: de Manhuaçu a Paraty

Saímos de Terra Seca dia 08 de Janeiro de 2020 com destino a Paraty...Um abraço no Seu Joaquim e na Dona Guilhermina, muito queijo, café e doces na mala e aquela sensação maravilhosa de estar na Estrada novamente.
Passamos por Manhuaçu para ver um mecânico por que tinha algo meio estranho com o carro...infelizmente por causa do Modelo/Marca e ano (Terios/Daihatsu/98/4x4) poucos mecânicos se atrevem a dar um diagnóstico preciso, peça então só pelo mercado livre e com dias de espera para chegar. Partimos um pouco apreensivos mas sem muitas opções, era vir embora ou ficar por lá mais uns 10 dias, e eu estava já sentindo falta de casa.
Viajamos mais de 500km, até que próximo a cidade de Rio Claro/RJ o carro começou a dar sinais de alerta, paramos em uma oficina mecânica com o dia amanhecendo, e o disgnóstico não poderia ser pior "Diferencial Traseiro Quebrado" e sem peças para reposição. 

Decidimos tocar em frente, não havia muito o que fazer a não ser ir repondo o óleo até chegar ao destino. Mal a gente sabia que ao pegar a RJ 155 daríamos de cara com uma serra de arrepiar a espinha.




A Expedição Estrada Real: de Manhuaçu a Paraty não foi apenas um trajeto no mapa, mas uma travessia de histórias, paisagens e silêncios que ensinaram a escutar. Entre montanhas, estradas de terra e o encontro final com o mar, cada quilômetro percorreu também algo dentro de nós. Chegamos a Paraty com o corpo cansado, a mente renovada e a certeza de que viajar é isso: sair para longe e voltar diferente — um pouco mais inteiro, um pouco mais livre.

Trindade: Dois Dias no Paraíso

Trindade não é apenas um destino — é um estado de espírito. Em dois dias, esse pequeno pedaço de paraíso no litoral do Rio de Janeiro conseguiu fazer o tempo desacelerar, o pensamento silenciar e o coração bater no ritmo do mar.

A chegada já anuncia o que vem pela frente: estrada cercada de verde, cheiro de mata atlântica e aquela sensação boa de que o celular vai perder importância rapidinho. Trindade recebe sem pressa, como quem diz: fica tranquilo, aqui a vida é simples.

No primeiro dia, o encontro com o mar foi imediato. Águas claras, ondas que conversam com a areia e um horizonte que parece não ter fim. A Praia do Cepilho impressiona pela força e beleza bruta, enquanto a Praia dos Ranchos acolhe com seu clima mais calmo, quase um convite para sentar, respirar fundo e não fazer absolutamente nada — missão cumprida com excelência.

Entre uma caminhada e outra, Trindade revela seus detalhes: trilhas que levam a piscinas naturais esculpidas na rocha, onde a água doce encontra o salgado em perfeita harmonia. Ali, o tempo simplesmente para. O barulho do mundo some, substituído pelo som da água escorrendo e pelas risadas leves de quem entendeu que felicidade pode ser bem simples.

O segundo dia amanhece preguiçoso, com cheiro de café e mar. O sol nasce devagar, como se também estivesse de férias. Mais um mergulho, mais algumas fotos que nunca vão conseguir traduzir exatamente o que os olhos viram — mas tudo bem, certas memórias são exclusivas da alma.

Trindade é natureza viva, é pé na areia, é banho de mar sem hora para acabar. É o tipo de lugar que não promete luxo, mas entrega paz. Dois dias foram suficientes para descansar o corpo, mas insuficientes para matar a saudade que já nasce na hora da partida.

Voltamos diferentes: mais leves, mais calmos e com a certeza de que o paraíso existe — e ele fica ali, entre o verde da serra e o azul do mar.